terça-feira, 29 de outubro de 2013

Programa de Prevenção da Doença dos Legionários em Empreendimentos Turisticos

   Há uns dias atrás, referi num post o problema da Legionella e dei o nome ao post de "Legionella a mal amada" e expliquei o porquê de ela ser "mal amada". Considerando que esta  "menina bactéria" não é propriamente boa, vou voltar a falar do tema, mais propriamente do "Programa de Prevenção da Doença dos Legionários em Empreendimentos Turísticos", visto que esta semana estive juntamente com a Drª Rosário Jorge e a TSA Carmelo Colmenarez a por em prática este programa, junto de empreendimentos turísticos.
  Apesar de já ter referido, volto a frisar que a doença dos legionários é uma infecção respiratória aguda, de instalação súbita, causada por bactérias do género legionella. O seu principal modo de transmissão é através da inalação de microaerossóis de água contaminada, sendo uma patologia associada a viagens e correlacionada com estadias em empreendimentos turísticos. A doença está associada à presença da bactéria nas redes prediais de água quente e fria nos equipamentos de arrefecimento (torres de arrefecimento. condensadores evaporativos, sistemas de ar condicionado), piscinas, jacuzzis, instalações termais...
   Assim, "a Autoridade de Saúde Regional do Algarve, consciente do risco da Doença dos Legionários numa região onde o Turismo é a atividade económica com maior impacto, elaborou e implementou um programa de prevenção da Doença dos Legionários direcionado aos Empreendimentos Turísticos (ET). Em 1979, após o aparecimento do 1.º caso de doença num ET do concelho de Loulé, iniciou-se a implementação do programa localmente. Posteriormente, no ano de 2000 e dado que entretanto surgiram novos casos de doença, o programa foi alargado para toda a região. No ano de 2003 a antever o evento Euro 2004, foi efetuada uma revisão profunda ao referido programa e foram criados instrumentos para avaliação do risco deste tipo de estabelecimentos.
  "Este programa tem como finalidade prevenir a ocorrência de casos de Doença dos Legionários relacionados com estadias em Empreendimentos Turísticos da Região do Algarve, tendo sido definidos os seguintes objetivos: Incentivar a implementação de atividades preventivas e de programas de controlo a desenvolver nos Empreendimentos Turísticos, naqueles que ainda não tenham sido aplicados; Efetuar a avaliação do risco nos Empreendimentos Turísticos; Determinar as medidas preventivas adequadas à redução do risco de colonização das redes e equipamentos e de ocorrência de casos de doença associados à laboração ou estadia em Empreendimentos Turísticos." (ARS Algarve - Programa de Prevenção da Doença dos Legionários).
   Assim, dando seguimento ao Programa, fomos aplicar o mesmo em 4 empreendimentos turísticos no Concelho de Faro. Chegamos ao local, identificamo-nos e procedemos à aplicação da Grelha de Avaliação de Risco que faz parte do Programa, de modo a facilitar a intervenção no terreno. Esta Grelha permite sistematizar e uniformizar a avaliação das condições das instalações, equipamentos e procedimentos que favorecem a ocorrência de casos da doença dos legionários. A Grelha é por pontuação, um valor final com uma pontuação elevada, corresponde a um maior risco. Para além da aplicação da Grelha, esclarecíamos todas as dúvidas que os responsáveis pelos empreendimentos tinham sobre o tema e procedíamos à entrega de uma separata/anexo com as medidas de monitorização e controlo do programa a executar pelo Empreendimento turístico, procedíamos ainda à análise e apreciação dos registos de cloro e temperatura, num dos quartos.
   O principal objetivo deste Programa é que os os responsáveis pelos Empreendimentos Turísticos tomem consciência dos perigos da Doença dos Legionários e como tal é preferível que os Empreendimentos tenham todas as condições para que esta não ocorra (apesar de ter como consequência mais gastos no final do mês), mas com boas condições e boa manutenção dos equipamentos, a ocorrência de Legionella torna-se quase nula e o Empreendimento acaba por ficar com uma ótima imagem, enquanto se ocorrer algum caso, a imagem do Empreendimento Turístico acaba por ser posta em causa e há uma quebra de vendas. Como tal, o nosso papel enquanto Técnicos de Saúde Ambiental é informar/sensibilizar sobre estes perigos, o que se quer é que não ocorra casos de Doença dos Legionários.
   Ficam algumas imagens que caracterizam o que fizemos:

A medir o cloro

A medir o cloro

A medir a temperatura da água

A aplicar os reagentes do cloro

Resultado da medição

Grelha de Avaliação de Risco

Grelha de Avaliação de Risco

Em Faro, após a aplicação do Programa, junto da minha orientadora Drª Rosário Jorge

Junto com a TSA Carmelo


   


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Colheita de Alimentos

   A alimentação saudável e segura nas crianças é um tema que cada vez mais preocupa os pais, estabelecimentos de ensino e a Direção Geral da Saúde. Pequenos descuidos na preparação dos alimentos, leva a que pequenos descuidos se transformem em consequências gigantescas, como é o caso de infeções alimentares e toxi-infeções alimentares. Estas doenças de origem microbiológicas são transmitidas pelos alimentos à pessoa que os consome. Estas ocorrem geralmente por manipulações inadequadas, infeções cruzadas, confecção ou conservação deficiente. As doenças provocadas por microrganismos são chamadas infeções alimentares  e pelas suas toxinas, toxi-infeções alimentares, mas ambas as doenças podem ser prevenidas e o que se quer é que estas não ocorram.
   Em termos legais, o DL nº 82/2009, de 2 de Abril, refere no nº 3 do artigo 5º que compete às Autoridades de Saúde "vigiar o nível sanitário dos aglomerados populacionais, dos serviços, estabelecimentos e locais de utilização pública e determinar as medidas corretivas à defesa da saúde pública", assim, "apesar de a qualidade microbiológica das refeições fornecidas nos refeitórios escolares do Pré-escolar e 1º Ciclo constituir uma das preocupações das Autarquias, o Departamento de Saúde Pública em conjunto com as Unidades de Saúde Pública dos ACES, propuseram o desenvolvimento do Programa de Promoção da Qualidade Microbiológica das Refeições em Estabelecimentos de Educação, através de um sistema de vigilância microbiológica" (Departamento de Saúde Pública - Programa de Promoção da Qualidade Microbiológica das Refeições em Estabelecimentos de Educação).
   O objetivo deste Programa é Promover a qualidade microbiológica das refeições nas escolas da rede pública do Ensino Pré-Escolar e do Ensino Básico do 1º Ciclo, como objetivos específicos tem: monitorizar a qualidade microbiológica das refeições fornecidas nas escolas da rede pública do Ensino Pré-escolar e do Ensino Básico do 1º Ciclo, Identificar situações de risco e determinar as medidas corretoras e Promover a formação dos manipuladores de alimentos. O programa destina-se aos profissionais do Laboratório Regional de Saúde Pública (LRSP); Técnicos de Saúde Ambiental das USP dos ACES e DSP da ARS; Nutricionistas e Dietistas dos ACES e DSP da ARS; Médicos de Saúde Pública das USP dos ACES e DSP da ARS.
   Assim, hoje dia 28/10/2013, foi dia de dar seguimento ao Programe e eu juntamente com a Drª Rosário Jorge, fomos realizar 4 colheitas de alimentos, em 4 escolas. Uma das escolas faz a comida para consumo próprio e ainda para mais 2 outras escolas de dimensões mais pequenas, como tal, fez-se a colheita no produtor e nos locais de recepção e fez-se ainda noutra escola EB 1/2 que também servia almoços para o Jardim de Infância que ficava junto.
   Realizar colheitas de alimentos parece um processo simples, mas há regras que temos que seguir e materiais que necessitamos levar para realizar as colheitas nas devidas condições.
   Os materiais necessários são os seguintes: 
  •  Mala térmica para acondicionamento e transporte das colheitas realizadas;
  • Acumulador de gelo;
  • Boletim de análise;
  • Bata;
  • Luvas;
  • Toca; Máscara;
  • Botas descartáveis;
  • Saco estéril;
  • Pinça;
  • Bisturi;
  • Colher;
  • Garfo;
  • Faca;
  • Zaragatoa.
   O procedimento a seguir para realizar as colheitas é o seguinte:
  1.  Colocar as luvas esterilizadas, bem como todo o equipamento de proteção;
  2. Colher uma amostra individualizada da refeição;
  3. No caso de carnes, retirar todos os ossos ou espinhas em caso de peixe;
  4. Inserir a amostra no saco estéril;
  5. Fechar o saco e retirar todo o ar antes de fechar;
  6. Identificar o saco com o tipo de amostra e local;
  7. Acondicionar a amostra colhida na mala térmica
  8. Preencher a ficha o Boletim de Análise;
  9. Transportar a amostra para o laboratório, no máximo até duas horas após a colheita.
   A primeira colheita foi realizada pela Drª, as restantes 3 fui eu que realizei. É bom para um estagiário colocar a "mão na massa", só assim o processo de aprendizagem é mais fácil, pois é na prática que nos apercebemos das nossas dificuldades. No caso da realização das colheitas não senti dificuldades no processo.
   Ficam algumas imagens que ilustram a colheita:


Material necessário para a colheita: saco estéril

Material necessário para a colheita: máscara e luvas

Preenchimento do Boletim de Análise

Toda equipada

A colocar as luvas

Com a mácara

A amostra: carne com chilli e arros de milho

A proceder à colheita

A proceder à colheita

A proceder à colheita

Boletim de colheita, que é enviado juntamente com a colheita efetuada.


   Para ter uma ideia de como se efetua uma colheita, fica aqui um vídeo elaborado pelos colegas de Saúde Ambiental da Escola de Saúde de Lisboa

   

   Para uma alimentação mais saudável e segura, são 5 pontos-chave que deve seguir:
  • Mantenha a higiene -  Lave as mãos com frequência e sempre
    antes de manusear ou consumir alimentos;
  • Separe os alimentos crus dos cozidos;
  • Cozinhe muito bem os alimentos;
  • Mantenha os alimentos em temperaturas seguras;
  • Use água tratada e ingredientes seguros.
   Para mais informações de como obter uma alimentação segura consulta aqui

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Resumo da IV Semana de Estágio

   Mais uma semana de estágio decorreu. Esta decorreu de 21 a 25 de Outubro de 2013 e foi uma semana agitada e terminou de maneira inesperada. 
   A segunda-feira iniciou-se com a realização de colheitas de água na Piscina Municipal de Olhão, mais concretamente, Colheita de água para análise bacteriológica (para mais informações como decorre esta colheita, consultar aqui). Esta colheita foi mais fácil que a primeira que fiz, pois já consegui abrir com maior facilidade o frasco de mergulho. Após a colheita, fizemos o transporte da mesma para o Laboratório Regional de Saúde Pública, visto que é neste que se procede as análises para determinar se os parâmetros estão de acordo com a Lei. Mas não fomos diretamente para o Laboratório, antes, passamos pelo Centro de Saúde de Faro com vista a "apanhar" o meu colega Miguel, com o objetivo de ambos participarmos numa visita guiada pelo Laboratório.
   Terça-feira foi um dia que não decorreu como estava planeado, visto que as condições meteorológicas que se fizeram sentir na cidade de Olhão (chuva torrencial) não permitiram a nossa saída do Centro de Saúde. Estava planeado continuar a aplicação do questionário para a Avaliação do Cumprimento da Lei do Tabaco mas não foi possível, assim, ficamos no Centro de Saúde a tratar de "papelada".
   Quarta-feira ao início da manhã, tivemos a vistoria conjunta com o Veterinário Municipal a uma carrinha ambulante de venda de peixe. 
    Na parte da tarde, conjuntamente com o Veterinário Municipal e a Assistente Social da Câmara Municipal, fomos a um prédio habitacional, por causa de uma queixa de insalubridade efetuada por alguns moradores do mesmo. Foi a primeira vez que participei numa atividade deste género, visto que ainda não tinha sido efetuada numa queixa de insalubridade no Centro de Saúde durante o meu período de estágio. Apesar de o "acusado" não ter aberto a porta aos serviços, fiquei com um certo sentimento de "pena" pelo senhor que esta a ser acusado de insalubridade, visto que um acontecimento menos positivo na sua vida, desencadeou no senhor uma certa desordem emocional, o que o leva a não tratar corretamente do seu animal de estimação, causando uma acumulação de dejetos na sua habitação e mau cheiro no prédio e assim fiquei a pensar, até que ponto não somos facilmente afetados psicologicamente e deixamos de realizar certas atividades na nossa vida devido a um acontecimento trágico? Se o processo andar para a frente vai ser um bocado complicado e espero já não estar no estágio quando tal acontecer, visto que mete animais e é sempre algo que "mexe" comigo.
   Quinta-feira, as condições meteorológicas já permitiram que continuássemos a aplicação do questionário de Avaliação do Cumprimento da Lei do Tabaco e aplicamos o mesmo em 9 estabelecimentos. Ainda neste dia, fomos a um Centro Comunitário (propriedade da Associação Cultural e de Apoio Social de Olhão) que presta auxilio há Comunidade de etnia Cigana. Esta visita decorreu com o objetivo de emitir o Certificado Higio-Sanitário ao estabelecimento Comunitário. A primeira vistoria para verificação das condições do Centro já tinha sido efetuado pela Dr.ª Rosário, nesta sua primeira visita deparou-se com algumas situações que tinham que ser corrigidas, nomeadamente: Dotar o compartimento do gás de sinalética de acordo com a legislação em vigor e Existir lava-mãos de comando não manual, sabão líquido e toalhetes de uso individual. Após estas correções, a responsável pelo Centro Comunitário solicitou a segunda vistoria para efeitos de emissão do Certificado e constatou-se nesta, que todas as correções propostas tinham sido efetuadas e assim, passou-se o Certificado Higio-Sanitário.  
   Sexta-feira...
   Sexta-feira foi um dia marcado por alguma falta de educação por parte de um gerente de um café e porquê? Passo então a explicar: Como já foi referido em post anteriores é necessário aplicar um questionário sobre a Avaliação do Cumprimento da Lei do Tabaco, junto de estabelecimentos de restauração e bebidas que se encontrem no raio de 200m de uma EB2/3 e Secundárias, assim, fomos aplicar os nossos últimos questionários nos estabelecimentos e ao chegarmos há aplicação do último questionário, deparamo-nos com um responsável por um café que se recusou a responder ao mesmo e acabou por ser mal-educado comigo e com a Dr.ª Rosário. Recusou-se de completo ouvir-nos, nem "ligou" à identificação da Dr.ª Rosário e acabou por levantar o tom de voz e acabou por dizer "chame a polícia se quiser, estou no que é meu, faço o que quero". Ok, tudo muito bem, acabamos por vir embora, mas fica prometido uma nova visita que promete ser mais "animada".
   Em termos pessoais, esta semana marcou-me, pois percebi que nem sempre as coisas decorrem como queremos, há sempre alguém que não quer saber do nosso trabalho e como tal, acampam por ser mal educadas. Eu sempre aprendi que devemos respeitar o trabalho dos outros e que não somos mais que ninguém, todos temos direitos, mas esta semana que decorreu, deparei-me com um proprietário de um café/restaurante que não foi bem educado nem comigo e muito menos com a Drª Rosário, eu não sabia o que fazer, simplesmente não disse nada e deixei que a Drª tomasse conta da situação, mas esta situação foi um abre olhos para eu perceber que nem todas as pessoas pensam como eu e que futuramente vou encontrar pessoas ainda mais mal educadas, como tal, ainda bem que nem tudo são rosas neste estágio, pois só assim há um crescimento maior em termos pessoais.
   Assim decorreu mais uma semana de estágio e ficam algumas imagens que marcaram a mesma:



Laboratório Regional de Saúde Pública Dr.ª Laura Ayres


A aprender como se faz a identificação dos frascos de colheita em profundidade


A realizar a colheita em profundidade na piscina


Colheita em profundidade


Medição do pH da piscina


Vistoria a veículo de venda ambulante de peixe e marisco fresco


Vistoria a Centro Comunitário


Refeitório do Centro Comunitário


Copa do Centro Comunitário

Compartimento do gás com sinalética
Lava-mãos de comando não manual



Bom fim-de-semana :)

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Queixa de insalubridade

   Hoje (23/10/2013), fui assistir pela primeira vez a uma queixa de insalubridade, esta queixa foi feita por um morador de um apartamento num prédio no centro de Olhão. 
   Foi apresentada esta queixa, visto que um senhor que vive noutro apartamento do mesmo prédio, possuí um cão dentro da sua casa e após um acontecimento triste na sua vida (falecimento da esposa) deixou de tratar do seu animal de estimação, não saindo à rua com ele e deixa-o fazer as necessidades fisiológicas em casa. O problema é que o dono do animal não apanha os dejetos do mesmo, o que causa uma acumulação de dejetos na casa e por sua vez traz mau cheiro, quer na habitação, mas também no prédio em si, o que leva a que todos os habitantes do prédio sintam o cheiro causado pelos dejetos, causando mau ambiente e má qualidade do ar no prédio. Para além do cheiro, há ainda o problemas das moscas e baratas que "correm" ao encontro dos dejetos.
  Posto isto, um dos moradores do prédio apresentou queixa à Câmara Municipal de Olhão (visto que o prédio pertence à câmara) e esta transmitiu a queixa ao médico veterinário municipal e à saúde pública, para tentarem resolver o problema.
   Assim, fomos à habitação ter com o senhor proprietário do animal, mas o mesmo não se encontrava em casa e como tal não foi possível fazer nada. 
   Um dos habitantes do prédio surgiu e a assistente social da câmara propôs que todos os habitantes do prédio fizessem uma queixa conjunta à câmara e esta assim poder intervir mais facilmente, ao solicitar uma ordem de entrada forçada ao Tribunal e depois com esta ordem, a assistente social, juntamente com o medico veterinário e a Técnica de Saúde Ambiental poderem resolver a situação.

Ficamos à espera de mais desenvolvimentos




Vistoria Higio-Sanitária a veículo de transporte e venda de peixe

   Hoje (23/10/2013) foi dia de realizar uma vistoria higio-sanitária a um veículo ligeiro de mercadorias com caixa fechada para transporte e venda ambulante.
   Esta vistoria, foi solicitada pelo proprietário do transporte que faz a venda ambulante, com o objetivo de adquirir o certificado sanitário das condições higio-sanitárias do veículo para venda e transporte de peixe e marisco fresco.
   A vistoria decorreu de manhã e foi rápida. Como se tratava de um veículo que vende gêneros alimentícios, o veterinário municipal da câmara de Olhão esteve presente, juntamente com a técnica de saúde ambiental do Centro de Saúde de Olhão. Após a vistoria, os dois responsáveis pela mesma (veterinário municipal e técnica de saúde ambiental) chegaram à conclusão que: "De acordo com o previsto no Capítulo III e IV, do Regulamento (CE) 852/2004 e com o Regulamento Municipal de venda ambulante do Município de Olhão, o veículo ligeiro de mercadorias com caixa fechada refrigerada, apresenta as condições higiotécnico-sanitárias necessárias para o seu funcionamento e por isso é concedido o Certificado Higio-Sanitário".
   A venda ambulante nos termos da Lei Portuguesa tem que seguir a Lei nº 27/2013 de 12 de Abril, que estabelece o regime jurídico a que fica sujeita a atividade de comércio a retalho não sedentária exercida por feirantes e vendedores ambulantes, bem como o regime aplicável às feiras e aos recintos onde as mesmas se realizam. De acordo com esta Lei, um vendedor ambulante é "a pessoa singular ou coletiva que exerce de forma habitual a atividade de comércio a retalho de forma itinerante, incluindo em instalações móveis ou a movíveis", ou seja, o senhor que pediu o certificado  é considerado um vendedor ambulante e posto isto tem que cumprir esta Lei. No artigo 9º desta Lei, refere que é necessário que "Os feirantes e os vendedores ambulantes devem afixar nos locais de venda, de forma bem visível e facilmente legível pelo público, um letreiro no qual consta a identificação ou firma e o número de registo na DGAE ou,no caso previsto no artigo anterior, o número de registo no respectivo Estado membro de origem, caso exista. E o letreiro identificativo serve para identificar o feirante e o vendedor ambulante perante os consumidores". Ainda desta Lei, há que referir que está diz no artigo 13º que "Os feirantes e os vendedores ambulantes que comercializem produtos alimentares estão obrigados, nos termos do Decreto -Lei n.º 113/2006, de 12 de junho, alterado pelo Decreto -Lei n.º 223/2008, de 18 de novembro, ao cumprimento das disposições do Regulamento (CE) n.º 852/2004, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 29 de abril, relativo à higiene dos gêneros alimentícios, sem prejuízo do cumprimento de outros requisitos impostos por legislação específica aplicável a determinadas categorias de produtos".
   ,Como foi anteriormente referido, o vendedor ambulante tem que cumprir o Regulamento (CE) 852/2004, nomeadamente o Capítulo III e IV do anexo II. 
   O Capítulo III  do anexo II é relativo aos "Requisitos aplicáveis às instalações amoviveis e/ou temporárias (tais como marquises, tendas de mercado, veículos para venda ambulante), às instalações utilizadas essencialmente como habitação privada mas nas quais os gêneros alimentícios são regularmente preparados para a colocação no mercado e às máquinas de venda automática". Quanto ao Capítulo IV do mesmo anexo é relativo ao Transporte.
   Tendo em conta que a vistoria foi realizada a um transporte de venda de gêneros alimentícios, vou transcrever o que o Capítulo IV do anexo dois refere:
  • "1. Os veículos de transporte e/ou os contentores utilizados para o transporte de gêneros alimentícios devem ser mantidos limpos e em boas condições, a fim de proteger os gêneros alimentícios da contaminação, devendo, sempre que necessário, ser concebidos e construídos de forma a permitir uma limpeza e/ou desinfecção adequadas.
  • 2. As caixas de carga dos veículos e/ou contentores não devem transportar senão gêneros alimentícios se desse transporte puder resultar qualquer contaminação.
  • 3. Sempre que os veículos e/ou os contentores forem utilizados para o transporte de outros produtos para além do de géneros alimentícios ou para o transporte simultâneo de diferentes gêneros alimentícios, deverá existir, sempre que necessário, uma efetiva separação dos produtos.
  • 4. Os gêneros alimentícios a granel no estado líquido, em grânulos ou em pó devem ser transportados em caixas de carga e/ou contentores/cisternas reservados ao transporte de gêneros alimentícios. Os contentores devem ostentar uma referência claramente visível e indelével, numa ou mais línguas da Comunidade, indicativa de que se destinam ao transporte de gêneros alimentícios, ou a menção "destinado exclusivamente a gêneros alimentícios".
  • 5. Sempre que os veículos e/ou os contentores tiverem sido utilizados para o transporte de produtos que não sejam gêneros alimentícios ou para o transporte de gêneros alimentícios diferentes, dever-se-á proceder a uma limpeza adequada entre os carregamentos, para evitar o risco de contaminação.
  • 6. A colocação e a proteção dos gêneros alimentícios dentro dos veículos e/ou contentores devem ser de molde a minimizar o risco de contaminação.
  • 7. Sempre que necessário, os veículos e/ou os contentores utilizados para o transporte de gêneros alimentícios devem ser capazes de manter os gêneros alimentícios a temperaturas adequadas e permitir que essas temperaturas sejam controladas".
  Resumindo, um veículo de transporte e venda ambulante de peixe, para transportar o peixe precisa de:
  • Ter implementado um plano de higienização;
  • Um plano de monitorização de temperatura;
  • Possuir sistema de refrigeração no veículo;
  • Letreiro identificativo com o tipo de venda que faz, neste caso, venda de peixe fresco.
  Ficam algumas imagens do veículo ligeiro de mercadorias com caixa fechada, para transporte e venda ambulante de peixe e marisco fresco:


Interior do veículo (possuí estratos e o interior é de fácil higienização

Sistema de refrigeração

Parte exterior do veículo

Exterior do veículo